Um Debate Sobre o Bullying a Partir da Leitura de Livros Paradidáticos
O
projeto da professora Marta de Menezes Miranda consiste na leitura de livros paradidáticos que abordem temas de dificuldade de convivência ou de preconceito. A prática aqui apresentada foi elaborada a partir da leitura do livro Gente Nova no Pedaço, de Dênio Maués,
da coleção Quem tem razão? Convivência X
Preconceito, da editora Escala Educacional e do posterior debate sobre as
questões levantadas nesse livro. Os livros foram adquiridos no Salão o Livro em
quantidade para uma turma trabalhar.
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"Gente Nova no Pedaço" conta a história de Nando, que acabou de chegar a São Paulo, vindo de uma
cidadezinha da Amazônia. Na nova escola, ele desperta a admiração de alguns e a
hostilidade de outros. Lelê se encanta com ele, enquanto Serginho acha o garoto
metido e esnobe. O desentendimento entre os meninos divide opiniões e se torna
um conflito que parece não ter fim.
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O
Objetivo
O projeto tem como objetivo promover a discussão dos alunos sobre a questão do Bullying, bem como desenvolver no aluno a prática do questionamento e do debate, adequando a linguagem e a postura necessárias para a realização do trabalho.
Bullying é um termo utilizado para descrever atos
de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um
indivíduo ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executados
dentro de uma relação desigual de poder.
No
livro o personagem Nando é “perseguido” por Serginho, num tipo de agressão
psicológica, até que um dia, Nando explode e acaba agredindo o colega.
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| A professora Marta explicou as regras do debate que seria realizado pelos alunos, assim como o tipo de postura e de linguagem adequadas para o evento. |
A
Prática
Os
alunos da turma 801 fizeram a leitura do livro e prepararam uma espécie de
tribunal. O “julgamento” foi realizado com dois réus: Serginho por ter
praticado o Bullying e Nando, por ter
perdido a cabeça e ter agredido o Serginho. A professora formou o
tribunal da seguinte forma:
- Juíza
(Professora Marta)
- Réus
(Nando e Serginho)
- Advogados
de defesa
- Promotor
- Júri
- Plateia
A função de cada aluno ficou assim estabelecida:
- À Juíza coube mediar os debates;
- Aos réus, coube contar a versão da
história sob o seu ponto de vista;
- Aos advogados de defesa coube defender os
seus clientes, tentando mostrar ao júri e à plateia os motivos que levaram os
réus a cometerem práticas violentas;
- Ao promotor coube fazer as acusações aos
réus.
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| A discussão entre o promotor e a advogada de defesa, apresentando os seus argumentos para o júri e a plateia. |
Conclusão
Os alunos realizaram a tarefa com
maestria, e a conclusão a que chegaram foi a seguinte:
- Os alunos que defenderam o Nando
perceberam que ele deveria ter pedido ajuda a uma pessoa mais velha e não ter a
reação de agredir o colega.
- Os alunos que defenderam o Serginho, que
praticava o Bullying, ficaram
temerosos, pois não acreditavam na inocência do menino, mas com o estudo
aprofundado do perfil do personagem, eles acabaram entendendo que pessoas que
cometem esse tipo de ato, no fundo possuem algum tipo de carência.
- O júri e a palteia absolveram o Nando ,
por entender que, quando um adolescente sofre esse tipo de agressão psicológica
é difícil expor esse problema a um adulto. Mas o mesmo júri, não absolveu o
Serginho, mesmo entendendo que o garoto tinha carências a serem resolvidas, e o
condenou a praticar serviços comunitários em uma instituição para idosos, pois
entenderam que o garoto precisaria de uma lição.
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| Conclusão do júri. |
O
trabalho serviu para mostrar aos alunos que se temos problemas não devemos
descontá-los nos colegas; se sofremos algum tipo de agressão, devemos procurar
ajuda e não tentar resolver do nosso jeito; e o mais importante, não devemos fazer com os outros o que não
gostaríamos que fizessem com a gente.